AMAR É ANDAR NA LUZ

A espiritualidade cristã afirma que andar na luz é amar o outro. Celebrar casamentos é acompanhar os casais, antes e após as cerimônias. Há uns meses tenho acompanhado alguns casais que sofreram a grande perda e a separação dos seus filhos e filhas. Alguns recém-nascidos, outros com meses de vida, e ainda outros que não chegaram a nascer. O questionamento sempre existe. Como pode acontecer isso com a nossa família? Não há explicação racional e no plano terreno para essas perdas. Mas o que tenho vivenciado em meio a tanta dor e sofrimento é que quando nos amamos e desejamos superar a dor. A luz surge. Ela chega e nos ilumina. Não é uma luz que cega. É uma luz que ilumina os nossos passos e nos mostra um novo caminho. Esse deve ser trilhado na luz. O Papa Francisco escreveu: “quem anda na luz mostra ao outro o seu amor e não a sua religião”. O amor e somente ele é a luz que nos tira das trevas do sofrimento, da dor e da insegurança. Confúcio afirmou certa feita: “Quando não há sol, acendamos uma vela”. O amor não é como a luz do sol ao meio dia sobre as nossas cabeças, queimando e nos atordoando, quem sabe querendo dar todas as certezas que nunca tivemos na vida, mas que na hora da dor desejamos com todas as nossas forças, o que pode ser perfeitamente legítimo naquele momento. Não! O amor é uma luz, talvez como a luz de uma vela na penumbra. Que ilumina porque queima, se desgasta se consome. A luz que entra pela única fresta da janela aberta. Porque nessa fresta aberta reside a maior esperança da vida. Entra sorrateiramente. Como quem não quer nada. E ilumina as mãos do pai e da mãe, que partilham uma taça de vinho, sorvem o choro da dor e trás um pouco de calor aos corações gélidos. Então a luz aquece e faz brotar novamente a vida. Amar é viver na Luz.
(Para Cristina, Fábio e Daniel; para Luciana, Clayton e Luiza, para Úrsula, Filipe e Lara. Vocês saberão a razão).

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