COMO SER PLENAMENTE FELIZ?

No filme “Deus é Brasileiro” há uma cena em que Antônio Fagundes, que interpreta “Deus”, presencia um funeral de um jovem suicida. O mesmo havia deixado uma carta explicando a razão do suicídio: não conseguia ser feliz. Fagundes então, ouvindo a carta, na qual as entrelinhas culpavam mais ou menos Deus pela falta de felicidade, exclama: “mas que mania vocês tem de ser feliz!”.

Pois é! Desejamos, perseguimos, queremos do fundo da nossa alma e do nosso coração, com todas as nossas forças viver em plena felicidade. Sigmund Freud, o pai da psicanálise, afirmou que a realização de todo ser humano estava no trabalho e no amor. Consequentemente se eu vivo realizado vivo feliz. Será que assim que funciona? Viktor Frankl ( fundador da logoterapia) amigo de Freud, e que o substituiu na cátedra em Viena, também judeu e havia passado pelo campo de concentração afirmou que seu amigo Sigmund havia se esquecido de uma coisa. Disse ele: “o que realiza o ser humano é o trabalho, o amor e o sofrimento”. No trabalho transformamos as coisas, no amor transformamos o outro e o sofrimento nos transforma.

Felicidade e sofrimento não combinam! A bíblia afirma que o amor é forte como a morte. Lamento afirmar que não tenho resposta para a pergunta que eu mesmo fiz como tema desse artigo. Não há felicidade plena e ninguém vive sempre feliz. O sofrimento, a dor e a infelicidade fazem parte da vida. É claro que vivenciamos momentos felizes, sentimos prazer e alegria em muitas coisas. Especialmente quando vivenciamos o amor o carinho e o afeto entre os nossos queridos, sejam familiares ou amigos. Mas é preciso ter sempre claro diante de nós que a falta de felicidade não é o final da vida. Ela faz parte da vida. Viver é um grande desafio que nos leva a cada instante a nos equilibramos na corda bamba do drama existencial. Clarice Lispector escreveu certa feita: “não precisamos compreender a vida, porque viver ultrapassa toda compreensão.” Parafraseando a grande escritora: não precisamos compreender a felicidade, porque ser feliz (ou infeliz) ultrapassa toda compreensão.

Luiz Longuini Neto