APRENDI A AMAR UM TIME PORQUE AMAVA MEU PAI

O meu grande verdão, porco por excelência, é campeão. Surge novamente o alviverde imponente. Revendo as imagens, em meio a tantos sentimentos de luto, compaixão, solidariedade e amor, pela também alviverde Chapecoense, surge a alegria de ser campeão. Visitei meu passado e me encontrei no campo da Ferroviária em Araraquara com meu pai, jogo do Palmeiras contra a Ferroviária. Eu tinha dezesseis anos. O verdão era a “academia palestra Itália” com Dudu e Ademir da Guia no meio campo e na defesa o imbatível Luiz Pereira. Mas a sensação era César “maluco” grande centro avante. Estávamos lá na torcida, muitos amigos, eu e meu pai. O verdão entrou em campo e a loucura foi total. César tinha o costume de ir até o alambrado e ser ovacionado pela torcida. Foi assim. Eletrizante. Ele veio e estávamos em Roma no Coliseu: “Ave César”. Só vivendo para sentir a experiência e vivenciar esse tipo de amor. Eu amava mais meu pai do que o Palmeiras, mas as coisas se misturavam. Em toda a minha vida só via meu pai chorar escutando todo dia no rádio o programa irradiado por Fiori Gigliote: “Cantinho da saudade” Ele narrava histórias de jogadores que já haviam partido e o fazia como se estivesse narrando uma partida de futebol. Eu via meu pai ali, todos os dias, quase seis da tarde, e quando a narrativa chegava no seu ponto alto, muitas vezes vi meu pai chorando. Eu achava então que devia ter algo muito bom nos jogadores e no futebol. Perguntei um dia ao meu pai porque ele estava chorando e ele me respondeu: “estou com saudade desse jogador”. Bem, sentimos saudade de quem a gente ama. Amar é assim. A gente ama sem saber. Porque o amor não carece de entendimento racional. Hoje fico confuso porque amar o Palmeiras é quase o mesmo que amar meu pai, que foi velado no caixão e sepultado com a camisa do Palmeiras. E quando eu me despedi dele, após fazer o ofício fúnebre beijei seu coração, e beijei também o escudo do Palmeiras. Para nós, uma família de italianos do interior paulista, é quase a mesma coisa. O amor nos torna pessoas felizes, capazes, e transforma nossos sentimentos. Como escreveu Leon Tolstói: “A verdadeira felicidade, vivenciamos nas alegrias em família” Não é fanatismo. É uma curtição. Lazer. Abraço na cultura e nos amigos. Amo um time de futebol porque amava meu pai. Luiz Longuini Neto.